
"SINTO OLHARES DE JULGAMENTO, QUANDO DIGO MINHA IDADE E COMENTO SOBRE MINHA LOJA ONLINE."
Microempreendedora, 17 anos, estudante do ensino médio da rede pública, e proprietária de uma loja online. Júlia expande no mundo empreendedor da moda, e afirma que cresceu profissionalmente na crise do Covid-19.


A quantidade de lojas online cresceram consideravelmente. E-commerce Brasil, conta que o mundo da moda foi o eixo que mais cresceu no ramo comercial. A pesquisa foi realizada pela coluna da Folha e registou 100 novas lojas online após decreto que consolidava pandemia no começo do ano de 2020. Adolescentes, jovens e adultos apostaram nas vendas digitais para manterem suas rendas fixas mensais. Os dados foram baseados nas pesquisas da ABCoom e Konduto. Confira no link abaixo:
Julia, estudante do ensino médio, com apenas 17 anos, criou e planejou seu negócio. Além de gerenciar sua loja online, a jovem tem sua própria produção : JV OFICIAL (@jv_oficialstore). A estudante conta que nunca trabalhou de carteira assinada, e diz que seu sonho era construir seu próprio negócio, e conseguir sobreviver trabalhando com o que gosta. Atualmente, sua loja atende apenas via Instagram, e a produção das peças são feitas no quintal da casa onde mora, com a ajuda de sua mãe, que também trabalha como costureira. Os resultados e o retorno financeiro, ainda é baixo, porém a jovem acredita estar indo no caminho certo, uma vez que as vendas já cobrem o valor utilizado para as produções dos produtos vendidos. Em uma conversa com a jovem, ela conta sobre as maiores dificuldades e sobre o lado bom de empreender tão nova.

FOTO ENVIADA PELA FONTE
Desde muita nova, sempre quis ter meu próprio negócio, inclusive após me formar no ensino médio, pretendo cursar administração para me aperfeiçoar e conseguir abrir minha loja física. Tenho a consciência que atualmente não conseguiria administrar. E a ideia surgiu daí, com essa vontade que eu já tinha antes. Então, abri um Instagram voltado para loja, e pedi a ajuda da minha mãe para fazer as roupas. Coloquei no papel e percebi que saia bem mais em conta produzir do que revender. E assim, surgiu a ,loja. Eu mesma tiro as fotos, posto, vendo e entrego. Comecei vendendo para amigos e familiares, agora vendo para amigos de amigos e amigos de familiares (risos). Mas, sinto que as pessoas não levam muito á sério, e nem acreditam que ganho meu dinheiro com isso. Sinto olhares de julgamento, quando digo minha idade e comento sobre minha loja online. Mas, faz parte.
Financeiramente você já tem um retorno com a loja online?
No começo não. Abri faz um ano e meio. Pegava dinheiro com meu pai para comprar os tecidos, já que minha mãe não cobra os valores básicos para a produção. Após 5 meses, conseguir com o dinheiro das vendas, comprar as matérias primas, como linhas, tecidos e acessórios. Mas, só dava para comprar o que eu iria produzir, ainda não havia lucros. Hoje em dia, consigo tirar uns 10% de lucro em cima das entregas. Porém, divido com minha mãe, já que ela possui gastos, como energia, manutenção da maquina, sem contar do tempo que ela tem que tirar para produzir as peças.
Julia, como você enfrentou a pandemia? Ela afetou nas suas vendas? Empresas grandes sentiram uma diferença enorme na crise que o Covid-19 trouxe para os comercios. Você, como microempreendedora também sentiu essa diferença nas vendas?
Me conta Júlia, como tudo começou e como surgiu essa ideia na sua cabeça.
Com toda certeza viu! Minha mãe, trabalha para lojas da 44, e com os comércios fechados na pandemia, ela teve que parar com seu trabalho. O desespero começou logo ai. Tínhamos no estoque algumas peças de roupas que não tinham sido vendidas nos meses anteriores. Roupas que estavam paradas. Então tive a ideia de fazer uma promoção que trouxesse um retorno, e que pudesse ajudar dentro de casa. Vendi as peças com um preço de produção, anunciei na OLX, e em sites semelhantes. E olha, vendi mais do que eu esperava. Inclusive continuei vendendo na OLX. Senti um retorno bem maior do que no próprio Instagram.
Confira um pouco sobre a história da Júlia no vídeo abaixo: